Juros futuros: taxas curtas sobem, longas caem com curva achatada

Juros futuros operam mistos com taxas curtas subindo devido à inflação e longas caindo com alívio em dia de baixa liquidez. Mercado aguarda falas do BC.

Os juros futuros operam com direções opostas nas pontas curta e longa da curva a termo. Pressionadas pelas incertezas do conflito no Oriente Médio e seu impacto no quadro inflacionário, as taxas de curto prazo sobem, com investidores precificando uma política monetária mais conservadora do Banco Central nos próximos meses. Os vértices longos, por outro lado, aproveitam de certo alívio em um dia de liquidez baixa.

Por volta de 13h20, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 subia de 14,045% para 14,10%. A do DI de janeiro de 2028 oscilava de 13,735% a 13,75%. Já a do DI de janeiro de 2029 caía de 13,68% para 13,65%, e a do DI de janeiro de 2031 anotava forte baixa de 13,795% a 13,735%.

Inflação e Juros em Curto Prazo

A perspectiva de uma inflação mais pressionada pela alta do petróleo, causada pela guerra no Oriente Médio, eleva os juros de curto prazo. O Boletim Focus divulgou o quarto aumento seguido da projeção do mercado para o IPCA de 2026, que passou de 4,31% para 4,36%, aproximando-se do teto da meta do Banco Central, de 4,5%.

Neste contexto, o mercado enxerga “menos espaço para cortar [os juros] agora, e a parte curta fica pressionada”. Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o cenário-base ainda é de um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, a 14,50%. Contudo, a perspectiva de extensão do ciclo de flexibilização encurta à medida que o mercado não vê uma solução para a guerra no curto prazo.

Alívio na Ponta Longa da Curva

Apesar do conflito no Oriente Médio pressionar as expectativas de inflação e os juros de curto prazo, o inverso ocorre na ponta longa da curva a termo. Notícias sobre a possibilidade de uma resolução do conflito e a ausência de fatores que levem a mais uma escalada da guerra abrem espaço para alguma queima de prêmios nos mercados de renda fixa no Brasil e no exterior.

Um operador comentou que “no momento, não ter notícia nenhuma é boa notícia”. Ele acrescentou que, “apesar do Irã aparentemente ter rejeitado esse primeiro acordo (proposto) de cessar-fogo, a coletiva do Trump veio meio leve”.

Mercado Internacional Reage

Assim como na renda fixa brasileira, a curva dos Treasuries americanos também achata. Isso ocorre devido à pressão sobre a ponta curta e certo alívio nos juros de longo prazo. A taxa da T-note de dois anos subia de 3,833% a 3,852%, enquanto a da T-note de 30 anos recuava de 4,918% para 4,884%.

Além da guerra no Oriente Médio, investidores locais estarão atentos às falas do presidente do BC, Gabriel Galípolo, em evento organizado pela FGV/Ibre, com previsão para começar às 14h00.

Fonte: Globo

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