A maioria dos deputados federais reconhece que o ano eleitoral interfere na qualidade do debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1. No entanto, avaliam que isso não reduz as chances de a proposta ser aprovada até outubro pelo Congresso Nacional.
Um estudo da consultoria Think Policy, realizado com 102 deputados entre 17 e 18 de março, indicou que 77,45% dos parlamentares consultados acreditam que o fato de ser um ano eleitoral influencia o debate. Para 17,63%, não há influência, e 4,92% não souberam ou não responderam.
A pesquisa também apontou que 47,5% dos deputados acreditam que a medida não seria aprovada se não fosse ano eleitoral, enquanto 44,7% avaliam que seria. Os demais não souberam ou não quiseram responder.
Falta de subsídios do governo
O levantamento revelou que 74,3% dos parlamentares não receberam estudos de impacto, simulações ou notas técnicas do governo federal para subsidiar a decisão sobre o tema. Em contrapartida, 60,71% disseram ter recebido esse tipo de material de entidades setoriais empresariais.
Ainda assim, 65,49% dos deputados não consideram que os impactos financeiros da proposta já foram devidamente medidos. O governo, por meio do ministro Guilherme Boulos, rebateu, afirmando que o Ipea mediu o impacto econômico e que o Sebrae ouviu donos de pequenos negócios.
Debate com viés eleitoral
Segundo o cientista político Leonardo Barreto, sócio da Think Policy, a lógica eleitoral tem se sobreposto às preocupações com impacto e a uma discussão racional sobre o tema. Ele avalia que a decisão, se tomada agora, seria desinformada, pois não está amparada em estudos técnicos.
O economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, também vê interferência do fator eleitoral. Ele argumenta que parlamentares não querem ser taxados como aqueles que votaram contra o fim da escala 6×1. Duque defende que o debate seja feito com calma e que a medida seja implementada de forma faseada.
Fonte: Estadão