Investidores podem vender um ativo cedo demais por medo de perder dinheiro, mas, com o tempo, percebem que o custo da pressa foi maior do que o risco evitado. Em finanças, nem todo desconforto deve ser corrigido imediatamente; às vezes, o tempo resolve melhor do que a reação rápida.



Isso ocorre com frequência na previdência, onde a escolha entre PGBL e VGBL pode gerar dúvidas. Os nomes são parecidos e a decisão é muitas vezes tomada sem a devida atenção, mas a diferença no imposto é relevante.
No PGBL, o imposto incide sobre o valor total resgatado. No VGBL, apenas sobre o rendimento. Quando o investidor percebe que escolheu o produto errado, a reação imediata costuma ser agir para corrigir. Contudo, essa tentativa de conserto pode gerar um segundo erro.
O custo da correção apressada
Em planos com tabela regressiva, resgatar cedo significa pagar 35% de imposto. Tentar consertar a escolha pode gerar uma perda relevante logo no início. Por exemplo, um investidor que aplica R$ 10 mil em um PGBL, mas desejava um VGBL, teria uma correção custando R$ 3.500 na alíquota regressiva. O resgate imediato reduziria o capital para R$ 6.500, comprometendo o potencial de crescimento.
O tempo como aliado na previdência
Um exemplo mais alinhado ao uso real da previdência seria manter o valor por 40 anos. Assumindo uma rentabilidade de 10% ao ano, R$ 10 mil crescem para R$ 452,6 mil. No regime tributário regressivo para o PGBL, a alíquota cai para 10%, resultando em R$ 407,3 mil líquidos. Se tivesse escolhido o VGBL desde o início, o valor final líquido seria próximo de R$ 408,3 mil. A diferença após 40 anos seria de R$ 1.000, praticamente irrelevante diante do patrimônio acumulado.
Considerando uma inflação média de 5% ao ano, R$ 1.000 em 40 anos representam apenas R$ 142. O tempo dilui o custo do erro, enquanto a pressa em corrigir pode destruir valor silenciosamente.
Flexibilidade e ajustes estratégicos
Um detalhe frequentemente ignorado é que, tanto no PGBL quanto no VGBL, não há come-cotas nem imposto nas trocas de fundos dentro do plano. Isso permite ajustar a estratégia ao longo do tempo sem fricção tributária, algo especialmente valioso em horizontes longos.
O erro inicial importa, mas nem todo erro precisa ser corrigido na hora. Em finanças, muitas perdas não vêm da escolha errada, mas da tentativa apressada de corrigi-la. Antes de agir, é fundamental questionar se a decisão é racional ou apenas uma tentativa de aliviar o desconforto de ter errado.
Fonte: UOL