Lula 3: Governo falha em popularidade por perder chance de surpreender

Terceiro mandato de Lula enfrenta queda de popularidade e avaliações negativas, com governo falhando em apresentar novidades e visão de futuro.

Em outros tempos, os planos de reeleição de Lula não deveriam suscitar tantas dúvidas e preocupações entre seus aliados e apoiadores. Seu terceiro mandato desfruta de estabilidade política, sem as tensões produzidas pelo Poder Executivo contra o Judiciário, o Legislativo e os governadores estaduais durante o governo de Jair Bolsonaro. O governo cumpriu a promessa de manter a ordem democrática no país, apesar das fragilidades que persistem.

Os indicadores econômicos não são dos piores, sem entrar no mérito do custo fiscal no longo prazo, apenas na discussão sobre os efeitos eleitorais imediatos. O crescimento do PIB faz seu tradicional voo de galinha, o índice de inflação em 2025 foi o mais baixo desde 2019 e a taxa de desemprego está em sua mínima desde o início da série histórica de 14 anos. Apesar disso, o desempenho econômico não é brilhante, mas tampouco é desesperador.

O que se tem verificado, contudo, é uma avaliação negativa do governo Lula que supera a positiva e uma leve tendência de queda nas pesquisas de intenção de voto. Há explicações de todos os gostos para esse fenômeno, e é provável que todas elas contribuam em alguma medida para o quadro geral.

Problemas econômicos e de segurança pública

Há problemas econômicos ou abismos entre renda média e percepção de renda individual que não são captados pelos indicadores oficiais. Além disso, a segurança pública e a corrupção se consolidam como principais preocupações dos brasileiros. O governo do PT não conseguiu apresentar legitimidade e apetite para enfrentá-las. Programas assistencialistas agora são considerados fatos da vida.

Incapacidade de surpreender

Essas e outras razões para a falta de entusiasmo dos brasileiros com Lula podem ser resumidas no maior fracasso do seu terceiro mandato: a incapacidade de surpreender. Lula não foi eleito em 2022 com grandes expectativas por parte dos eleitores. Seu maior mérito como candidato foi ser um anti-Bolsonaro. Não havia ideias nem promessas novas.

Visão de futuro ausente

Lula se propôs, no seu retorno, a restaurar uma linha do tempo interrompida pelas gestões de Michel Temer e Bolsonaro. O presidente passou os últimos três anos desperdiçando a chance de mostrar que tem uma visão de futuro para o Brasil conectada aos anseios e aos medos do tempo atual. Sem isso, só lhe restará recorrer ao espantalho do bolsonarismo para vencer as eleições.

Fonte: Estadão

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