Governadores de três estados brasileiros decidiram permanecer em seus cargos até o fim do mandato, mesmo sem poderem concorrer a uma nova eleição. A decisão visa impedir que seus vices, com os quais possuem desavenças, assumam interinamente e se fortaleçam politicamente para futuras campanhas.
Os estados em questão são Rondônia, Maranhão e Tocantins. Nesses locais, os governadores romperam com seus vices e buscam evitar que eles ganhem projeção ao ocupar a cadeira de chefe do executivo estadual.
Tocantins: Gabinete do vice é transferido de local
No Tocantins, o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e o vice, Laurez Moreira (PSD), vivem um clima de forte tensão. O governador aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que o permite viajar por até 15 dias sem precisar passar o cargo. Além disso, o acesso de Moreira ao cartão corporativo foi restringido e seu gabinete foi transferido para outro prédio.
O desentendimento teria se intensificado com a intenção do vice-governador de se candidatar ao governo. No ano passado, Barbosa chegou a ser afastado por suspeita de desvio de recursos, período em que o vice assumiu e realizou mudanças na equipe, o que desagradou o governador.
Rondônia: Desentendimento após viagem internacional
Em Rondônia, o governador Marcos Rocha (PSD) e o vice Sérgio Gonçalves (União) também estão rompidos. Rocha desistiu de concorrer ao Senado para permanecer no cargo e impedir a ascensão do vice. Ele declarou publicamente que não poderia deixar o comando do estado nas mãos de quem o traiu.
O clima entre os dois se deteriorou em junho de 2025, quando o governador ficou retido em Israel devido ao fechamento do espaço aéreo. Na ocasião, Sérgio Gonçalves tentou judicialmente anular uma decisão que permitia a permanência de Rocha fora do país sem a transferência do cargo.
Maranhão: Embate político com ministro
No Maranhão, a disputa é explícita entre o governador Carlos Brandão (sem partido) e o vice Felipe Camarão (PT). Brandão abriu mão de sua pré-candidatura ao Senado para que Camarão não assuma o governo. Brandão, que foi vice de Flávio Dino, hoje está rompido com o grupo político do ministro.
Camarão acusa o governador de manipular instituições estaduais para atingir adversários. Brandão nega as acusações. O grupo político de Flávio Dino tem buscado, no Supremo Tribunal Federal, o afastamento do governador do cargo.
Rio Grande do Norte: Governadora permanece a pedido de Lula
No Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra (PT) decidiu permanecer no mandato até o fim a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A intenção era apoiar a candidatura de Cadu Xavier (PT) à sucessão.
Inicialmente, Bezerra considerava concorrer ao Senado, mas desistiu após o vice Walter Alves (MDB) afirmar que também renunciaria caso ela deixasse o cargo. Com a resolução, ambos seguirão nos mandatos até o final, e Alves se declarou pré-candidato a deputado estadual.
Fonte: Estadão