Empresas de infraestrutura no Brasil, como Sabesp, Axia e Motiva, estão intensificando seus investimentos no país, marcando um novo ciclo de expansão no setor. Um levantamento aponta um aumento significativo no capital investido (capex) em saneamento, energia, rodovias e ferrovias nos últimos anos, com alguns grupos elevando seus aportes em mais de 300% em termos reais.


Este movimento reflete a crescente participação do capital privado em áreas onde o Estado era historicamente o principal agente. Atualmente, 84% dos R$ 280 bilhões investidos em infraestrutura provêm de empresas privadas, em contraste com ciclos anteriores, como os das décadas de 1970 e o período pré-Lava Jato.
Sabesp lidera expansão com privatização
A Sabesp se destaca nesse cenário, com um capex de R$ 15,2 bilhões em 2025, mais que o dobro do ano anterior e um salto de 150% em relação a 2021. A privatização da companhia em 2024, com a antecipação da meta de universalização do saneamento para 2029, impulsionou os investimentos. Segundo a diretora Samanta Souza, 70% dos aportes estão focados na expansão do esgotamento sanitário, com a incorporação de um domicílio ao sistema a cada 36 segundos.
Souza ressalta que a gestão privada trouxe maior flexibilidade para investimentos, superando o teto orçamentário anterior. No entanto, a empresa ainda enfrenta reclamações sobre a qualidade dos serviços, como cortes de água noturnos em periferias, atribuídos à redução da pressão na rede para lidar com a escassez hídrica.
Axia e Motiva seguem a tendência de alta
A Axia (antiga Eletrobras) também elevou seus investimentos, com R$ 9,6 bilhões em capex em 2025, quase o dobro de cinco anos antes. A desestatização em 2022 reforçou a capacidade da empresa de alocar capital, com a maior parte direcionada à área de transmissão para conectar fontes eólica e solar ao sistema. A expectativa é que os investimentos se mantenham altos, entre R$ 12 bilhões e R$ 14 bilhões anuais nos próximos anos.
No setor de mobilidade urbana e rodovias, a Motiva expandiu sua base de investimento de R$ 2 bilhões em 2021 para R$ 8,5 bilhões em 2025. A EcoRodovias e a Rumo também registraram aumentos significativos em seus aportes.
Ciclo impulsionado por marcos regulatórios e BNDES
O presidente da Abdib, Venilton Tadini, atribui o atual ciclo de investimentos à evolução institucional, regulatória e financeira do país, com marcos legais como o do saneamento trazendo segurança. Instituições como o BNDES e o TCU são apontadas como protagonistas, com o banco modelando projetos e o tribunal mediando entraves.
A expansão da infraestrutura gera um efeito multiplicador na economia, com a formação bruta de capital fixo (FBCF) avançando acima do consumo desde 2024. Contudo, Tadini ressalta que o país ainda investe apenas 2,24% do PIB em infraestrutura, necessitando atingir 4% para cobrir o hiato acumulado e suprir demandas futuras, o que exigiria maior participação do setor público.
Fonte: UOL