Opep+ eleva cota de produção de petróleo em meio a conflito no Oriente Médio

Opep+ anuncia aumento simbólico na produção de petróleo para maio, enquanto conflito no Oriente Médio restringe oferta global e afeta preços.

A Opep+ planeja elevar suas cotas de produção de petróleo para maio, em uma medida considerada simbólica diante das restrições de oferta e embarques causadas pelo conflito no Oriente Médio.

Os principais países produtores, liderados por Arábia Saudita e Rússia, chegaram a um acordo preliminar para aumentar as metas em cerca de 206 mil barris por dia. A decisão foi comunicada durante uma videoconferência no último domingo (5).

Com os fluxos de petróleo do Golfo Pérsico impactados pela guerra com o Irã, e grandes produtores como Arábia Saudita, Emirados à rabes Unidos, Iraque e Kuwait forçados a reduzir o fornecimento, o aumento proposto é essencialmente teórico. No entanto, pode sinalizar a intenção do grupo de retomar a produção assim que as hostilidades diminuírem.

Os preços do petróleo foram afetados pelo conflito, atingindo quase US$ 120 por barril no mês passado. O aumento dos custos de combustíveis ameaça gerar nova onda inflacionária. Futuros do Brent fecharam perto de US$ 109 na sexta-feira (3).

Tráfego de navios no Estreito de Hormuz

O Estreito de Hormuz está efetivamente fechado há mais de um mês, causando a maior interrupção de fornecimento da história do mercado de petróleo, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). O tráfego pela via navegável, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial em tempos normais, diminuiu drasticamente.

Na sexta-feira, a média móvel de sete dias para trânsitos atingiu o maior nível desde o início da guerra, segundo dados de rastreamento de embarcações. Dois superpetroleiros transportando petróleo saudita e emiradense aparentemente saíram do Golfo na semana passada.

O exército iraniano informou que o Iraque está isento de restrições para cruzar a via navegável. Contudo, a utilidade dessa concessão dependerá da disposição das empresas de navegação em arriscar entrar no estreito.

Produtores como os sauditas, Emirados à rabes Unidos e Iraque reduziram a produção em cerca de 10 milhões de barris por dia, aproximadamente 10% do fornecimento global. Mesmo com o fim dos combates, pode levar tempo para restabelecer os fluxos de petróleo.

Produção russa afetada

Além das tensões no Oriente Médio, o mercado global de petróleo também enfrenta interrupções de fornecimento na Rússia. A infraestrutura energética russa tem sido alvo de ataques ucranianos, paralisando terminais de exportação no Mar Báltico.

Se o incremento de 206 mil barris para abril for ratificado, a Opep+ terá restaurado formalmente cerca de metade de uma segunda parcela de produção suspensa desde 2023. Os membros ainda têm 827 mil barris por dia dessas camadas a serem retomados.

A coalizão mais ampla da Opep+, com 22 nações, possui cortes de produção adicionais que remontam a 2022. Um órgão consultivo do grupo, o Comitê Conjunto de Monitoramento Ministerial, também se reunirá online neste domingo.

Navios em um estreito
Tráfego de navios em uma via navegável restrita.
Plataforma de petróleo offshore
Plataforma de extração de petróleo em alto mar.

Fonte: UOL

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