Os preços do cacau e do chocolate na Europa registraram uma alta significativa, superando a inflação geral, especialmente no período que antecedeu a Páscoa. Essa elevação está diretamente ligada a uma cadeia de suprimentos cada vez mais instável.



O chocolate é um item de grande popularidade durante a Páscoa, mas tanto o cacau quanto seus derivados estão entre os alimentos com as maiores taxas de inflação na União Europeia. Dados de dezembro de 2025 indicam que os preços do cacau e do chocolate em pó subiram mais de 15% anualmente, enquanto a inflação geral na UE se situava em 2,3%. Especialistas apontam para falhas na cadeia de suprimento do cacau, atribuídas a condições climáticas adversas na África.
Produção de Cacau Sofre Queda
Joël Frei, oficial de comunicação da Plataforma Suíça para o Cacau Sustentável, destacou que a produção global de cacau tem se tornado mais volátil nos últimos anos. A safra de 2023-2024 foi particularmente desafiadora, com uma queda de 12,9% na produção mundial, que passou de 5,016 milhões de toneladas em 2022-2023 para 4,368 milhões de toneladas em 2023-24, segundo estimativas revisadas da Organização Internacional do Cacau (ICCO).
Emiliano Magrini, economista da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), explicou que esses choques geraram um grande déficit na produção global e levaram os estoques a níveis historicamente baixos. Isso deixou os mercados extremamente expostos a novas interrupções e impulsionou os preços do cacau a recordes.
Inflação do Cacau Supera 25% em Diversos Países
A inflação anual para cacau e chocolate em pó ultrapassa os 25% em vários países europeus. A Dinamarca registrou o maior aumento, com 30,5% em dezembro de 2025, seguida de perto pela Lituânia (30,3%). Áustrias, Romênia, Noruega e Suécia também apresentaram inflação acima de 25% para esses produtos. Em contraste, países como República Tcheca (1,3%), Bélgica (2,2%), Sérvia (2,7%) e Portugal (3,6%) registraram aumentos menores. Nas maiores economias europeias, os preços subiram 21,4% na Alemanha e 20,5% na Itália, enquanto França (14,7%) e Espanha (12%) ficaram abaixo da média da UE.
Seca Prolongada e Doenças Afetam a Produção
Magrini observou que a produção global caiu acentuadamente, com reduções de aproximadamente 10-12% em relação ao ano anterior. Essa queda foi impulsionada principalmente por severas reduções nos dois maiores produtores: a produção na Costa do Marfim caiu cerca de 20-25%, enquanto em Gana o declínio foi ainda mais acentuado. Isso reflete os efeitos combinados de eventos climáticos adversos, como seca prolongada, e o aumento da pressão de doenças, incluindo o vírus do inchaço do cacau.
Anna Lea Albright, ex-pesquisadora do Centro de Meio Ambiente de Harvard, acrescentou que as recentes perdas na produção de cacau não são apenas resultado de seca. Embora as condições secas tenham influenciado, chuvas intensas durante o período de floração e desenvolvimento inicial das vagens são um fator importante e subestimado na perda de rendimento do cacau.
Recuperação Modesta na Produção Prevista
Para a safra de 2024-2025, a produção é estimada em uma recuperação modesta e parcial. A projeção para a temporada atual (2025-2026) sugere um aumento adicional, indicando uma melhoria gradual no equilíbrio entre oferta e demanda. No entanto, o mercado de cacau deve permanecer estruturalmente restrito e frágil, altamente exposto a choques adicionais relacionados ao clima, doenças ou interrupções logísticas e comerciais.
Fonte: Euronews