O encerramento da janela partidária e do prazo para renúncia de prefeitos e governadores que concorrerão a outros cargos nas eleições de outubro alterou a correlação de forças entre os partidos, impulsionando legendas de direita e centro-direita. A movimentação de pré-candidatos redefiniu o cenário eleitoral nos estados, com impacto na formação de palanques para as eleições presidenciais.


Levantamento aponta que 11 governadores e 20 prefeitos deixaram seus cargos para entrar na corrida pela Presidência, governos estaduais e Senado. O PSD, que em 2022 elegeu dois governadores, agora conta com seis, tornando-se o partido com maior número de chefes do executivo estadual. A legenda atraiu governadores de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rondônia, além de assumir Minas Gerais com a renúncia de Romeu Zema (Novo).
Apesar da forte presença nos estados, o PSD enfrenta divisões internas quanto ao apoio a Ronaldo Caiado. Enquanto governadores do Nordeste buscam alinhamento com Lula, outros se inclinam a endossar candidaturas de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema. Essa divisão se estende a outros partidos de centro-direita que ganharam força.
O PP saltou de dois para quatro governadores com a ascensão de Lucas Ribeiro, na Paraíba, e Celina Leão, no Distrito Federal. Na Paraíba, o partido se aproxima de Lula, enquanto no Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Acre, a legenda caminha para alianças com o PL. O MDB também expandiu sua bancada de governadores de dois para quatro, com posses em Goiás e Espírito Santo, e fortaleceu-se em São Paulo com a filiação do vice-governador Felício Ramuth.
O PT mantém quatro governadores, enquanto o PSB perdeu o comando do Espírito Santo e da Paraíba. Dos 27 governadores atuais, 18 concorrerão à reeleição, incluindo dez que assumiram o cargo recentemente como vices. O protagonismo dos vices que se tornaram governadores é uma tendência, pois todos disputarão a sucessão.
Em dois estados, governador e vice renunciaram simultaneamente. No Amazonas, Wilson Lima (União Brasil) e Tadeu de Souza (PP) deixaram os cargos para que Lima concorra ao Senado e Souza a deputado federal. No Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) renunciou para disputar o Senado, mas foi cassado pelo TSE, e o vice Thiago Pampolha já havia renunciado anteriormente.
A dinâmica também afetou os municípios, com pelo menos 20 prefeitos renunciando para concorrer a cargos majoritários. O União Brasil mantém o maior número de prefeituras de capitais, chegando a seis. O Podemos cresceu, alcançando quatro prefeituras de capitais. Por outro lado, o PL perdeu espaço, deixando de comandar três capitais.
O Republicanos e o PCdoB também registraram movimentações importantes. O Republicanos recebeu a filiação da ex-prefeita de Aracaju, Emília Corrêa. O PCdoB volta a comandar uma capital com a posse de Victor Marques em Recife. O número de mulheres no comando de prefeituras de capitais aumentou de duas para quatro.
Fonte: UOL