Durvalina Bretas, falecida aos 102 anos, foi uma figura inspiradora que compartilhou saberes e descobertas ao longo de sua vida. Residente em Guarujá, no litoral paulista, ela mantinha uma janela aberta para apreciar o nascer do sol, registrando o momento em fotografias enviadas a uma amiga.


Em sua juventude, Durvalina levava uma vida social ativa, dedicando-se à pintura, aulas de francês e à prática de Tai Chi Chuan na praia. Era também uma ávida leitora e contadora de histórias, possuindo um ótimo senso de humor, segundo o jornalista José Luchetti, que a conheceu na infância.
Luchetti recorda a casa de Durvalina e seu marido, o cronista esportivo Geraldo Bretas, como um refúgio acolhedor para artistas e jornalistas durante os tempos de ditadura e início da redemocratização do Brasil. A residência contava com piscina, piano e uma biblioteca repleta de livros com anotações, evidenciando sua paixão pela leitura e escrita.
Filha de Margarida Ribeiro e Manoel Ribeiro, Durvalina nasceu em São Paulo e cresceu com sua irmã, Delma. Apesar de ter tido seus estudos interrompidos pelo pai após a quarta série, ela buscou aprimoramento profissional através de um curso de corte e costura, tornando-se mestra na área e chegando a dar aulas.
Após se casar em 1947, Durvalina dedicou-se ao lar e à criação dos três filhos, sempre com extremo cuidado e prazer em compartilhar seus conhecimentos. Sua filha Deborah Bretas destaca o empenho e sucesso na educação dos filhos.
Aos 58 anos, após ficar viúva, Durvalina passou por um processo de reinvenção, como relata o filho Geraldo Bretas Jr. Ela estudou inglês e francês, fez cursos de pintura e desenho, participou de exposições e auxiliou na formação de seu neto e bisneto. Durvalina faleceu pacificamente em casa, em 13 de março, deixando um legado de inspiração.
Fonte: UOL