Lances agressivos em leilões levam a repactuações de contratos no Brasil

Ex-chefe de PPP do Banco Mundial explica como lances agressivos em leilões de concessões levam a repactuações de contratos no setor de transportes brasileiro.

Modificações em contratos de concessões de transportes, comuns no setor de rodovias no Brasil nos últimos anos, são frequentemente resultado de lances agressivos em leilões. Essa análise é de Jose Luis Guasch, ex-chefe da equipe global de especialistas em Parceria Público-Privada (PPP) do Banco Mundial.

Guasch explica que lances agressivos ocorrem quando a concessionária vencedora oferece um desconto substancial sobre o valor que deveria ser pago pelo governo em um projeto. Ele considera uma oferta agressiva quando o lance é cerca de um terço abaixo do valor de referência, o que pode comprometer a lucratividade do projeto.

Nos últimos anos, o setor de rodovias brasileiro tem passado por otimizações de contratos considerados “estressados”, que são projetos antigos com obras paralisadas e obrigações suspensas. Em 2026, uma parcela significativa dos leilões de rodovias previstos pelo Ministério de Transportes envolve a otimização de concessões existentes.

O primeiro desses leilões, referente à rodovia Régis Bittencourt (BR-116), está programado para junho. O trecho de 383 km, que liga São Paulo a Curitiba, prevê investimentos em obras e custos de operação consideráveis. A rodovia, concedida em 2008, enfrenta problemas devido à falta de investimentos.

Guasch estima que cerca de 25% dos projetos de PPP no mundo são concedidos com base em ofertas agressivas, o que frequentemente leva a renegociações. Ele observa que governos, por vezes, aceitam renegociar para evitar problemas como o abandono ou a rescisão do contrato.

O professor sugere que países com problemas de lances agressivos e repactuações aumentem o valor da garantia de performance. Essa garantia assegura a conclusão da obra mesmo em caso de inadimplência da concessionária. Ele propõe que, em casos de grande diferença entre o lance e o valor de referência, o valor da garantia seja significativamente elevado para tornar o abandono do projeto financeiramente mais custoso.

Raio-X | Jose Luis Guasch

Jose Luis Guasch é doutor em economia pela Universidade Stanford e graduado em engenharia industrial pela Universidade Politécnica de Barcelona. Atuou como chefe da equipe global de especialistas em PPP do Banco Mundial e é professor emérito de economia na Universidade da Califórnia, tendo assessorado governos em mais de 80 países sobre programas de PPP.

Jose Luis Guasch, ex-chefe de PPP do Banco Mundial
Jose Luis Guasch, ex-chefe de PPP do Banco Mundial, analisa o cenário de concessões no Brasil.
Rodovia Régis Bittencourt (BR-116)
A rodovia Régis Bittencourt (BR-116) é uma das concessões que passarão por otimização.

Fonte: UOL

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