O cenário eleitoral em São Paulo pode definir a disputa para o governo já no primeiro turno, o que especialistas apontam como prejudicial ao presidente Lula (PT). A pesquisa Atlas/Estadão indica que Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera com 49,1% das intenções de voto, contra 42,6% de Fernando Haddad (PT). Kim Kataguiri (Missão) aparece com 5% e Paulo Serra (PSDB) com 1,2%.
A consolidação de Tarcísio de Freitas com partidos de direita e centro-direita, e a união de Haddad com forças de esquerda e centro-esquerda, explicam a possibilidade de um primeiro turno. A força política de Tarcísio e sua boa aprovação diminuem o incentivo para outras candidaturas em seu campo.
Na esquerda, há a esperança de que a candidatura de Kim Kataguiri possa funcionar como um “fiel da balança”. A manutenção de sua candidatura poderia ajudar Haddad a levar a eleição para o segundo turno, impedindo que o eleitorado de Kataguiri migre diretamente para Tarcísio. A decisão de Kataguiri sobre concorrer ao governo ou à reeleição de deputado federal deve ser anunciada em junho.
Outra possibilidade de voto para Tarcísio é a do ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra. No entanto, conversas sobre uma possível aliança com Tarcísio estão em andamento. A estratégia do PSB de manter Márcio França como pré-candidato ao governo paulista também é discutida para forçar um segundo turno, embora haja dúvidas sobre seu real impacto eleitoral.
Definição no primeiro turno beneficia Flávio Bolsonaro
Especialistas avaliam que uma eleição decidida em primeiro turno em São Paulo tende a beneficiar o senador Flávio Bolsonaro em detrimento de Lula. Se Tarcísio vencer no primeiro turno, ele teria mais tempo para focar na candidatura de Flávio à Presidência. Para Lula, a ausência de um segundo turno em São Paulo exigiria um esforço maior de mobilização da esquerda no estado.
A tendência de maior abstenção no segundo turno da eleição presidencial, caso a disputa estadual seja decidida antes, também prejudicaria Lula, pois atinge mais eleitores menos escolarizados. Uma campanha de Haddad mais combativa em um eventual segundo turno poderia ajudar Lula.
Fonte: Estadão