O chefe da junta militar de Mianmar, Min Aung Hlaing, foi eleito presidente pelo Parlamento do país. A vitória consolida o controle do general de 69 anos que ascendeu ao poder em 2021, derrubando o governo de Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.
Com a eleição, Hlaing se torna chefe civil após cinco anos governando Mianmar como autoridade militar. A eleição é vista como uma manobra para perpetuar o regime militar sob uma fachada de democracia, vencida por ampla margem por partido apoiado pelo Exército e acusada de farsa por opositores e governos ocidentais.
O que você precisa saber
- Min Aung Hlaing, líder do golpe de 2021, foi eleito presidente pelo Parlamento.
- A eleição visa consolidar o regime militar sob uma aparência civil.
- O general já comandava Mianmar como autoridade militar desde 2021.
Contexto e Críticas
Na sexta-feira, parlamentares do partido apoiado pelo Exército e legisladores nomeados pelas Forças Armadas se uniram para apoiar Min Aung Hlaing. Ele venceu o general aposentado Nyo Saw por 429 votos a 126. A ascensão do líder militar à Presidência foi precedida por uma reformulação na liderança das Forças Armadas.
Guerra Civil e Acusações
A derrubada do governo de Aung San Suu Kyi e sua reclusão provocaram protestos generalizados que se transformaram em resistência armada nacional contra a junta. A guerra civil que devasta Mianmar desde 2021 continua, e os militares são acusados de crimes contra a população civil por grupos de direitos humanos e especialistas das Nações Unidas, o que a junta nega.
Repercussão Internacional e Oposição
O Tribunal Penal Internacional (TPI) solicitou, em 2024, um mandado de prisão contra o líder do país por perseguição à minoria muçulmana rohingya. A China, aliada dos generais de Mianmar, parabenizou Hlaing e disse que apoiaria o novo regime. Críticos veem a ascensão à Presidência como uma tentativa de consolidar poder e buscar legitimidade internacional, enquanto protegem os interesses do Exército.
Alguns grupos contrários ao regime da junta militar formaram uma nova frente para enfrentar os militares, com o objetivo de “desmantelar completamente todas as formas de ditadura”. No entanto, os grupos de resistência podem enfrentar pressão militar intensificada e desafios econômicos.


Fonte: UOL