Governo espanhol ativa 5G para áreas rurais com zonas brancas

Governo espanhol lança programa 5G para áreas rurais com zonas brancas, visando cobertura total e conectividade de alta velocidade.

O Ministério da Transformação Digital e da Função Pública da Espanha iniciou os trâmites administrativos do programa 5G Redes Muito Rurais. O objetivo é fornecer cobertura móvel de última geração às chamadas “zonas brancas móveis”, áreas do país sem sinal de 4G ou 5G de operadoras comerciais.

Diferentemente de planos anteriores, focados em cidades com até 10.000 habitantes, este programa visa áreas remotas, pequenas aldeias, zonas agrícolas isoladas e estradas secundárias. A iniciativa busca garantir que 100% da população e das vias de comunicação tenham acesso à banda larga móvel de alta velocidade.

O programa está em fase de consulta pública, aberta em 13 de março, para identificar as áreas elegíveis para receber auxílio. Operadoras e administrações locais têm até 13 de abril de 2026 para apresentar contestações. Após análise, o Ministério divulgará o mapa definitivo das zonas brancas.

A execução das infraestruturas ocorrerá entre o final de 2026 e 31 de dezembro de 2029. O prazo de três anos considera a complexidade logística dessas regiões, muitas sem acesso elétrico ou vias adequadas para maquinário pesado.

O orçamento previsto é de cerca de 30 milhões de euros, um valor significativamente menor que os 669 milhões de euros distribuídos nas fases anteriores do programa UNICO Redes Ativas para o 5G rural. Nessas fases, a Telefónica recebeu mais de 400 milhões de euros, enquanto MasOrange e Vodafone também obtiveram financiamento considerável.

Fundos Feder para conectividade

Após a conclusão dos programas UNICO 5G Redes Ativas e Backhaul, que utilizaram grande parte dos fundos Next Generation EU, o novo plano 5G Muy Rural recorrerá ao Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) para o período 2021-2027. Essa fonte de financiamento tradicional visa garantir a continuidade dos auxílios em áreas com menor densidade populacional.

A gestão dos auxílios segue o sistema de concorrência competitiva, onde operadoras apresentam projetos e o Estado subvenciona parte do investimento para compensar a falta de retorno econômico em áreas de baixa densidade demográfica.

Uma exigência técnica crucial é que o serviço seja prestado via 5G Stand Alone (5G SA), ou 5G nativo. Diferente do 5G não nativo (NSA), o 5G SA utiliza uma infraestrutura de rede independente, permitindo velocidades superiores a 100 Mbps, latência extremamente baixa e suporte para alta densidade de dispositivos (IoT).

Para evitar gargalos em antenas remotas, o programa se alinha ao plano Único 5G Backhaul, que estende a fibra óptica até as torres de telefonia. O programa Muy Rurales financia a parte ativa da antena e infraestrutura adicional, garantindo conexão de alta velocidade via fibra.

Para otimizar fundos europeus e evitar duplicação de infraestruturas, o programa impõe compartilhamento obrigatório. A operadora vencedora em uma zona deve permitir que outras utilizem sua torre e equipamentos para atender seus clientes.

Isso resulta em um sistema de roaming nacional obrigatório nessas áreas. Usuários de qualquer companhia telefônica poderão usar a cobertura da antena instalada com fundos públicos, independentemente da operadora responsável pela instalação. Este modelo assegura que o investimento público beneficie todos os cidadãos.

É importante diferenciar este programa do Único 5G Redes Ativas. Enquanto este último atualiza redes 4G para 5G em municípios com menos de 10.000 habitantes, o Muy Rurales atua onde não há sinal. O Redes Ativas melhora cobertura insuficiente ou obsoleta, enquanto o Muy Rurales foca em manchas brancas sem serviço.

A Secretaria de Estado de Telecomunicações e Infraestruturas Digitais avaliará as propostas com base em eficiência de custos, rapidez de implantação e soluções energéticas sustentáveis, como painéis solares em áreas sem rede elétrica.

As administrações locais têm papel fundamental, facilitando licenças e agilizando obras. Durante a consulta pública, prefeituras podem verificar se suas aldeias ou áreas industriais isoladas estão corretamente catalogadas como elegíveis.

Com a implementação deste programa, a Espanha projeta ter, até o final de 2029, uma das redes móveis mais abrangentes da Europa, eliminando brechas de conectividade em territórios de difícil acesso e garantindo que a infraestrutura digital financiada pela União Europeia alcance todo o território nacional.

Fonte: Cincodias

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