Conselheiros da Hapvida (HAPV3) devem receber R$ 57 milhões neste ano, posicionando a empresa com o terceiro maior pagamento entre as companhias do Ibovespa, segundo dados da gestora Squadra. Esse valor representa 20% da estimativa de lucro da empresa para o ano e pouco mais de 1% do valor de mercado atual.






A proporção da remuneração do Conselho de Administração em relação ao valor de mercado da Hapvida é a mais elevada entre as empresas do Ibovespa, superando significativamente a segunda colocada, a Minerva. Nos anos de 2023 e 2024, os pagamentos foram de R$ 67 milhões e R$ 60 milhões, respectivamente, mantendo a Hapvida entre as empresas que melhor remuneram seus conselhos.
Adicionalmente, o CEO da Hapvida, Jorge Pinheiro, um dos membros da família controladora, foi um dos executivos mais bem pagos do Brasil nos últimos anos, com uma remuneração total de R$ 110 milhões entre 2023 e 2024.
Conselho da Hapvida: Remuneração e Governança
A gestora Squadra aponta que o modelo de remuneração do conselho da Hapvida é incompatível com as melhores práticas de governança corporativa. A remuneração variável, atrelada a métricas centrais da diretoria executiva, compromete a independência do órgão.
O Código de Melhores Práticas do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) sugere que a remuneração dos conselheiros seja predominantemente fixa e estruturada de forma distinta da diretoria, dada a natureza diferente de suas funções. Entre 2023 e 2024, o bônus do conselho da Hapvida atingiu 94% do total previsto, mesmo diante da expressiva desvalorização das ações.
A gestora critica os valores considerados “portentosos” em um contexto de “uma das maiores destruições de valor da história”, com as ações da empresa em queda de 85% desde o IPO em abril de 2018. A análise da Squadra indica um descompasso entre o Conselho de Administração, a situação financeira da companhia e seu desempenho recente.
Desempenho Financeiro da Hapvida
No quarto trimestre de 2025, a Hapvida apresentou resultados negativos, com uma perda de 140 mil beneficiários. Apesar de vendas brutas superiores a 600 mil vidas, os cancelamentos ultrapassaram 700 mil, indicando insatisfação dos clientes com o serviço, conforme admitido pelo próprio CEO.
A empresa também enfrenta desafios como o aumento na sinistralidade e a falta de sinergias claras com a aquisição da NotreDame Intermédica, fatores que já impactam o balanço há alguns trimestres.
Posicionamento da Hapvida
A Hapvida informou que recebeu a carta da gestora Squadra e que o documento está sendo analisado pelo Conselho de Administração. A companhia se manifestará sobre o assunto oportunamente.
Fonte: Moneytimes