O pronunciamento do presidente Donald Trump, realizado na quarta-feira, 1º, apresentou diversas contradições. Foi a primeira declaração oficial após o início da guerra, feita por meio de um texto previamente preparado e apresentado via teleprompter, diferentemente de suas falas improvisadas.
Trump afirmou que o Irã foi militarmente aniquilado pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel. Contudo, declarou que a guerra prosseguiria por pelo menos mais duas ou três semanas, sem esclarecer a natureza dessas operações.
Ele se queixou da falta de colaboração dos aliados europeus para reabrir o Estreito de Ormuz, sugerindo que esses países deveriam assumir essa responsabilidade. Ao mesmo tempo, assegurou que o estreito se reabriria naturalmente após o fim da guerra.
O presidente também sugeriu que importadores de petróleo buscassem alternativas à navegação pelo estreito, adquirindo petróleo dos Estados Unidos, que contariam com reforço da Venezuela. No entanto, uma oferta abundante já deveria ter impactado a baixa dos preços de mercado.
Trump declarou que os ataques derrubaram o regime teocrático iraniano, mas a substituição de líderes não garante a queda do regime, podendo levar a grupos mais extremistas. Ele ressaltou que a mudança de regime nunca foi o objetivo dos Estados Unidos.
Repetiu que instalações nucleares foram desmanteladas e estão “sob escombros”, mantendo a narrativa de que foram “completamente destruídas”. Contudo, uma das justificativas para os ataques foi a proximidade do Irã em obter a bomba atômica.
A principal motivação do pronunciamento foi afastar temores de inflação e recessão, cada vez mais presentes nas análises de economistas e líderes políticos. Trump buscou recuperar popularidade e evitar custos políticos nas eleições de novembro, mas o sucesso desse objetivo não é garantido.
O ambiente de incertezas foi reforçado, como demonstrado pelo comportamento do mercado financeiro.
Fonte: Estadão