Pastores divergem sobre voto evangélico na esquerda

Líderes religiosos divergem sobre a identidade de evangélicos que votam na esquerda, com argumentos teológicos e sociais em debate.

A afirmação de que evangélicos que votam na esquerda não são verdadeiros cristãos, popularizada por Eduardo Cunha, divide opiniões entre líderes religiosos. Enquanto alguns pastores, como Renato Cardoso e Silas Malafaia, alinham-se à ideia de que ideologias de esquerda são incompatíveis com valores cristãos, outros, como o bispo Robson Rodovalho e o apóstolo Estevam Hernandes, defendem que a escolha política não define a autenticidade da fé.

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Renato Cardoso, genro de Edir Macedo, argumentou em 2022 que ideologias de esquerda buscam minar o casamento convencional e incentivar o uso de drogas, tornando-as intrinsecamente opostas aos ensinamentos de Cristo. Essa visão ganhou força com a ascensão do bolsonarismo.

Silas Malafaia concorda que fiéis com crenças e valores cristãos não deveriam votar em quem combate seus princípios. No entanto, ele lamenta que parte do segmento, especialmente os mais pobres, vote em Lula por falta de conhecimento sobre as pautas ideológicas do PT, mas não os desqualifica como evangélicos.

Sósthenes Cavalcante, ex-presidente da bancada evangélica, estima que apenas 20% dos evangélicos optam pela esquerda devido a pautas antagônicas ao cristianismo. Pesquisas indicam que cerca de 3 em cada 10 eleitores evangélicos escolheram Lula em 2022, um grupo majoritariamente pobre, negro e feminino, que também compõe o eleitorado lulista. A identidade religiosa, contudo, enfraquece esse alinhamento diante de discursos que opõem fé e esquerda.

Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra, observa que, na prática, muitos crentes, especialmente mulheres mais velhas e de baixa renda, votam no PT por dependerem de benefícios sociais como o Bolsa Família. Ele afirma que essas pessoas não deixam de ser devotas legítimas da fé cristã, priorizando suas necessidades e vendo o governo como não sendo o Anticristo.

O deputado federal Otoni de Paula explica que essa parcela de evangélicos vota em Lula por gratidão aos programas sociais, que chegam como uma resposta divina às suas necessidades. Ele ressalta que o governo Lula não enviou pautas-bomba para conservadores, e as derrotas conservadoras foram majoritariamente influenciadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Teo Hayashi, do movimento missionário Dunamis, reconhece o conflito entre a ideologia marxista e a Bíblia, mas aponta convergências entre o cristianismo de cuidado com o próximo e o viés de cuidado da esquerda. Em sua igreja, há pessoas de esquerda, mas não há orientação para votar apenas na direita.

Estevam Hernandes, idealizador da Renascer em Cristo, acredita que as opções de voto do cristão são determinadas por suas convicções e princípios, podendo votar na direita ou esquerda sem que isso defina sua autenticidade como cristão.

Fonte: UOL

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