A Blue Owl está registrando um aumento nas solicitações de resgate de dois de seus fundos de crédito privado. O fundo principal da empresa, OCIC, com cerca de US$ 36 bilhões em ativos, recebeu pedidos de resgate equivalentes a aproximadamente 21,9% das cotas em circulação no primeiro trimestre. Já o fundo menor e focado em tecnologia, OTIC, teve solicitações de 40,7% no mesmo período.
Em ambos os fundos, a Blue Owl decidiu limitar os resgates a 5%. A empresa atribuiu os pedidos acima do usual a “crescentes preocupações do mercado em relação à disrupção de empresas de software impulsionada pela inteligência artificial”.
Crédito privado sob pressão
A indústria de crédito privado tem sido afetada nos últimos meses por receios de que o setor esteja excessivamente exposto à indústria de software. Essa área tem enfrentado pressão devido a temores de desintermediação pela inteligência artificial.
O software representa cerca de 20% da exposição de portfólio entre as empresas de desenvolvimento de negócios (BDCs), que são um proxy negociado publicamente para crédito privado, segundo a Jefferies. Preocupações generalizadas sobre o risco de inadimplência no setor levaram um pequeno, porém abastado, grupo de investidores institucionais a buscar a saída de muitos desses fundos.
Oportunidades em meio à incerteza
A Blue Owl, que se destaca por ter dois fundos de crédito privado não negociados, é uma das últimas a reportar resgates. A porcentagem de resgates da empresa é várias vezes maior que a de seus concorrentes.
A maioria das empresas optou por usar o limite de 5%, mas algumas, como Cliffwater e Blackstone, permitiram resgates ligeiramente maiores. O fundo de tecnologia OTIC da Blue Owl viu pedidos de resgate de 17% no quarto trimestre, que foram atendidos. As solicitações do OCIC foram de 5% no quarto trimestre.
Ambos os fundos registraram entradas brutas, que, combinadas com os limites de 5%, resultaram em saídas líquidas modestas.
Fonte: Cnbc