O setor de saúde suplementar recebeu o último dado para o cálculo do Índice de Reajuste de Planos Individuais (IRPI) de 2026. Analistas do Morgan Stanley indicam que o resultado é negativo para as operações, com impacto particularmente severo para a Hapvida. A reclassificação de uma subsidiária da Hapvida como um “ponto fora da curva” derrubou a estimativa de reajuste do teto do setor.
A principal subsidiária da Hapvida, com cerca de um milhão de beneficiários, registrou um crescimento de custo per capita de 35,2% em 2025. Inicialmente dentro do limite de corte, o número alterou os quartis estatísticos após a atualização da lista de operadoras excluídas pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Com isso, a Hapvida foi oficialmente deixada de fora do cálculo ponderado, reduzindo o limite de corte de 36,9% para 34,3%.
O cálculo do IRPI é baseado na Variação das Despesas Assistenciais (VDA) das operadoras. A exclusão da Hapvida, devido à escala significativa de sua subsidiária e à natureza do cálculo ponderado pelo volume, deve reduzir o IRPI para 5,1%. Sem essa exclusão, o ajuste permitido para todo o setor seria quase três pontos percentuais maior.
Impacto nos resultados da Hapvida
A confirmação desse teto mais baixo representa uma pressão adicional para as ações da Hapvida. O Morgan Stanley ressalta que as expectativas do mercado parecem otimistas demais em relação ao lucro da companhia para este ano. A projeção de lucro líquido do banco para a Hapvida em 2026 é de R$ 224 milhões, significativamente menor que os R$ 430 milhões esperados pelo consenso do mercado.
O banco sugere que o consenso pode estar incorporando um resultado de precificação mais otimista. A estimativa de Lucro Líquido para 2026 permanece abaixo do consenso atual, indicando uma precificação mais conservadora por parte do banco.
Desafios críticos para 2026
O reajuste de preços individuais é apenas uma das frentes de pressão que a Hapvida deve enfrentar em 2026. O Morgan Stanley lista quatro desafios críticos para a companhia:
- Concorrência da Amil: O fortalecimento da oferta de planos de baixo custo da concorrente intensifica a disputa por clientes.
- Pressão de sinistralidade: A empresa parece mais disposta a aceitar custos de sinistros para evitar novas disputas judiciais.
- Capacidade hospitalar: Hospitais recém-abertos apresentam subutilização, dificultando a diluição de custos fixos em meio à perda líquida de clientes.
- Macroeconomia: O setor entra em fase de desaceleração após o emprego ter atingido seu pico em 2025.
O Morgan Stanley conclui que 2026 está se desenhando como um ano cada vez mais difícil, adicionando mais uma camada de pressão para um ano que já se apresenta fraco.

Fonte: Infomoney