Centro liberal fica sem candidato para eleição presidencial

Centro liberal fica sem candidato para eleição presidencial pela primeira vez desde 1989, após escolha de Ronaldo Caiado pelo PSD.

A escolha de Ronaldo Caiado como candidato do PSD para as eleições deste ano, em detrimento da pré-candidatura de Eduardo Leite, deixa os centristas liberais sem uma opção de voto no primeiro turno. Esta é a primeira vez desde 1989, ano da primeira eleição direta após a redemocratização, que o campo centrista liberal não apresenta um candidato.

Embora Caiado possa tentar ocupar esse espaço, seu anúncio de anistiar Jair Bolsonaro e outros envolvidos em atos antidemocráticos o distancia politicamente desse eleitorado. Candidaturas centristas alternativas são consideradas improváveis de ganhar expressão significativa.

Historicamente, o centro liberal teve representantes em eleições presidenciais. Em 1989, Mário Covas foi o candidato. Fernando Henrique Cardoso venceu duas eleições em seguida, e o PSDB continuou apresentando candidatos em períodos de polarização com o PT, como nas disputas de Lula contra José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves.

A eleição de 2014 viu o centro apresentar três candidatos viáveis: Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva. Apesar de concorrerem pelo PSB, Campos e Silva possuíam inclinação centrista. Marina Silva chegou a ser criticada por defender a independência do Banco Central.

O desempenho de Aécio Neves no segundo turno de 2014 contra Dilma Rousseff, com uma margem de derrota relativamente pequena, sugeria a força do centro liberal. No entanto, o cenário político brasileiro começou a mudar a partir das manifestações de 2013, com o crescimento da direita e da extrema-direita.

Em 2018, Geraldo Alckmin, apesar de ter amplo tempo de campanha, obteve apenas 4,8% dos votos válidos. Em 2022, Simone Tebet, representante do centro liberal, teve um desempenho ainda menor, com 4,2% dos votos. Nessas eleições, o bolsonarismo consolidou-se como o principal antagonista do PT.

A atual desidratação do centro liberal culmina na ausência de um candidato próprio em 2026. O eleitorado que antes apoiava Alckmin e Tebet pode se dividir entre o voto em Lula, em candidatos como Caiado, ou o voto nulo.

Apesar das baixas chances de uma candidatura de centro superar a polarização atual, a ausência de um nome como Eduardo Leite é lamentável. Técnicos associados a este campo político frequentemente apresentam diagnósticos e programas sólidos para o país.

Um exemplo é o documento “Caminhos do Desenvolvimento: Estabilizar, Crescer, Incluir”, do Centro de Debates de Políticas Públicas (CDPP). Coordenado por economistas, o estudo aborda a necessidade de reconstruir fundamentos fiscais, elevar a produtividade e transformar crescimento econômico em mobilidade social.

Mesmo um candidato como Leite dificilmente adotaria integralmente o estudo do CDPP, que discute temas como a indexação da Previdência e de programas sociais ao salário mínimo. Contudo, uma candidatura de centro poderia dialogar com esses diagnósticos, promovendo um debate mais aprofundado sobre os problemas reais do Brasil durante a campanha presidencial.

Candidatos de direita como Ronaldo Caiado podem buscar programas liberais na economia para se legitimar. No entanto, a associação com atos antidemocráticos ou a decisão de anistiar golpistas torna esses candidatos menos palatáveis para eleitores centristas que valorizam tanto o liberalismo econômico quanto o político.

Fonte: Estadão

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