Dólar recua para R$ 5,15 com alívio em risco global

Dólar à vista recua para R$ 5,15 com alívio em risco global, acompanhando mercados internacionais e beneficiando moedas emergentes.

O dólar à vista apresentou desvalorização frente ao real nesta quarta-feira, refletindo a descompressão do risco nos ativos globais, mesmo com a persistência da guerra no Oriente Médio. O comportamento do câmbio brasileiro alinhou-se ao dos mercados internacionais.

28340204
28340204

Ao final das negociações, o dólar à vista fechou em queda de 0,43%, cotado a R$ 5,1566, após oscilar entre a mínima de R$ 5,1476 e a máxima de R$ 5,1771. O euro comercial também recuou 0,22%, atingindo R$ 5,9723, próximo da mínima anual de R$ 5,9691. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra seis moedas de mercados desenvolvidos, registrou queda de 0,37%, alcançando 99,593 pontos.

Desde o início do pregão, o dólar à vista cedeu terreno ante o real, acompanhando a tendência global da moeda americana. Os investidores reduziram a percepção de risco em ativos globais, apesar da continuidade dos embates entre Irã, Estados Unidos e Israel. Com o movimento do dia, tanto o dólar quanto o euro se aproximaram de suas mínimas anuais frente ao real, que foram R$ 5,12 para o dólar e R$ 5,96 para o euro em 2026.

Moedas emergentes se beneficiam do alívio

Relatório do Goldman Sachs indica que o real, o florim húngaro e o rand sul-africano têm se destacado em dias de “alívio” no prêmio de risco global relacionado ao Oriente Médio. O banco sugere que essas moedas seriam posições compradas preferenciais em caso de desescalada do conflito. Em março, em dias de alta nas ações, essas moedas superaram outros mercados emergentes, com destaque também para os pesos mexicano e chileno.

O Goldman Sachs observa que o florim húngaro, o real e o peso colombiano foram as moedas emergentes que mais se recuperaram de suas maiores desvalorizações devido à guerra. Isso pode ser atribuído a expectativas positivas antes das eleições na Hungria, além do impacto favorável dos termos de troca para o real e o peso colombiano.

Análise de risco e desempenho de moedas

O banco americano também aponta que pesos colombiano e mexicano, real e rand sul-africano são moedas mais pró-cíclicas. Caso o mercado comece a precificar um choque de crescimento mais relevante, o canal de risco pode ganhar mais importância no desempenho das moedas emergentes. Moedas com maior beta, como essas, têm sido sustentadas pelo carry ou por termos de troca favoráveis.

O peso mexicano pode ser mais vulnerável dentro desse grupo, com menor depreciação que o rand, carry inferior ao do real e peso colombiano, e um dos maiores betas em relação às ações emergentes.

Fluxo cambial e intervenções do Banco Central

A divulgação do fluxo cambial da semana de 23 a 27 de março mostrou um saldo positivo de US$ 1,597 bilhão, com entrada de US$ 1,495 bilhão pela conta comercial e US$ 101 milhões pela conta financeira.

O fluxo positivo na semana passada ocorreu em um período em que o Banco Central realizou dois leilões extraordinários de linha, cada um de US$ 1 bilhão. As intervenções da autarquia ocorreram após pressão na taxa do dólar “casado”, que reflete a diferença entre o dólar futuro e o à vista. Geralmente, o “casado” piora com saída de dólares ou negociações volumosas no mercado de cupom cambial. A linha é um instrumento para injetar dólares temporariamente no mercado, com recompra futura.

A intervenção do Banco Central na semana passada, com fluxo positivo, não parece ter sido motivada pela escassez de dólares, mas sim por arbitragem no cupom cambial, prática comum no final de trimestres.

Fonte: Globo

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Imagens e vídeos são de seus respectivos autores.
Uso apenas editorial e jornalístico, sem representar opinião do site.

Precisa ajustar crédito ou solicitar remoção? Clique aqui.

Publicidade