Diálogos extraídos pela Polícia Federal do celular do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como ‘Careca do INSS’, revelam orientações sobre a entrega “discreta” de dinheiro vivo a dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essas conversas indicam um esquema de pagamento de propina para funcionários públicos.
Investigação da Polícia Federal
A Defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes afirmou não ter tido acesso à íntegra das extrações do celular nem a respostas do STF sobre pedidos relacionados a bens e pagamentos de dívidas trabalhistas.
Um dos focos da investigação, segundo a PF, é a entrega de propina ao então superintendente do INSS no Nordeste, Marcos de Brito Campos Júnior. Ele foi alvo na Operação Sem Desconto, que o obrigou a usar tornozeleira eletrônica. Campos Júnior ocupava o cargo de diretor de Administração e Finanças do Dnit e permaneceu na função mesmo após se tornar alvo da operação.
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Exoneração e Defesa
Após questionamentos do Estadão sobre as suspeitas de recebimento de dinheiro vivo e sua permanência no Dnit, Marcos de Brito Campos Júnior foi exonerado na última sexta-feira, 9. A publicação da exoneração ocorreu em edição extra do Diário Oficial, assinada pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, e pelo presidente Lula. O Ministério dos Transportes e o Dnit não responderam aos questionamentos.
A Defesa de Marcos de Brito negou as acusações da PF, afirmando que ele não recebeu dinheiro do esquema de desvios de aposentadorias e que possui um “modesto patrimônio” compatível com suas receitas. O advogado declarou que Campos Júnior colocou seu cargo à disposição do Dnit para adotar as medidas que considerasse pertinentes, o que culminou em sua exoneração.
Detalhes da Entrega de Propina
Em 10 de agosto de 2023, o lobista “Careca do INSS” instruiu um de seus funcionários a organizar a entrega de R$ 20 mil para Marcos de Brito. Em mensagens de WhatsApp, Antunes pediu que o dinheiro fosse retirado do cofre e preparado com a “discrição que a situação exige”, enfatizando a necessidade de “evitar o desconforto para ele!”.
A PF também identificou diálogos sobre a entrega de dinheiro vivo a um assessor parlamentar do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Essas informações foram encaminhadas ao ministro do STF André Mendonça, relator do caso. O “Careca do INSS” está preso desde setembro, sob suspeita de comandar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias do INSS e pagamento de propina a funcionários públicos.
Posicionamento da Defesa de Marcos de Brito
A Defesa de Marcos de Brito Campos Jr. apresentou um posicionamento detalhado:
- O Dr. Marcos de Brito Campos Jr. foi surpreendido com seu envolvimento na “Operação Sem Desconto” e com as medidas cautelares impostas pelo Min. André Mendonça do STF.
- A defesa não teve acesso integral aos autos do processo devido ao sigilo máximo no STF, apesar das solicitações.
- Afirmam categoricamente que Campos Jr. não participou de nenhuma atividade ilícita em seus cargos, especialmente no INSS, onde exerceu a Superintendência da Região Nordeste antes de assumir a Diretoria de Administração e Finanças do DNIT.
- Refutam a alegação de que Campos Jr. tenha recebido qualquer numerário de Antônio Antunes ou de terceiros envolvidos na operação.
- Declararam que Campos Jr. possui patrimônio modesto e compatível com suas receitas, estando regular com suas obrigações civis e fiscais.
- Por fim, informaram que Campos Jr. colocou seu cargo de Diretor de Administração e Finanças à disposição do DNIT para resguardar a instituição e permitir o exercício de seu direito de defesa.
Fonte: Estadão