Brasil Ignora Riscos Climáticos: Tempestades Revelam Falta de Planejamento

Brasil ignora riscos de tempestades e eventos climáticos. Falta de política de ocupação do solo e prevenção causa prejuízos recorrentes e altos custos para a população.
eventos climáticos no Brasil — foto ilustrativa eventos climáticos no Brasil — foto ilustrativa

O Brasil enfrenta um cenário recorrente de tempestades e eventos climáticos extremos que se intensificam a cada início de ano. Apesar da natureza cíclica desses desastres, a resposta das autoridades e a estratégia de ocupação do solo demonstram uma preocupante tendência à inação e ao risco, em vez de planejamento e prevenção.

Histórico de Ocupação e Vulnerabilidade

Historicamente, áreas consideradas de risco, como as várzeas de São Paulo e os morros do Rio de Janeiro, eram evitadas para habitação. Contudo, com a chegada de imigrantes europeus e o fim da escravidão, essas regiões passaram a ser ocupadas. A Guerra de Canudos, por exemplo, contribuiu para a disseminação do termo “favela”, designando comunidades formadas nas encostas por soldados do exército que não receberam moradias prometidas. Essa ocupação desordenada se agravou com o passar das décadas, sem uma preocupação governamental efetiva com a moradia dos mais pobres, resultando na proliferação de comunidades como Paraisópolis e Rocinha, que, paradoxalmente, também mostram a força da comunidade em buscar melhores condições de vida.

Ausência de Política Nacional de Prevenção

A realidade é que o Brasil carece de uma política robusta para a ocupação do solo e para a prevenção de desastres naturais. Tampouco existe um plano eficiente para minimizar os prejuízos causados por tragédias de origem climática. A repetição anual desses eventos, durante o verão, tem gerado apenas discursos vazios e promessas não cumpridas, especialmente quando uma região é atingida.

Mapeamento de Desastres e Ações Tímidas

O mapa dos desastres no Brasil é conhecido há anos e inclui regiões como a serrana do Rio de Janeiro, o litoral norte paulista, Angra dos Reis, São Paulo, Rio de Janeiro, a baixada santista, Santa Catarina e, mais recentemente, o Rio Grande do Sul. Cidades como Belo Horizonte, Salvador, Recife e extensas áreas do Nordeste e da região amazônica também sofrem com secas e inundações regulares. Apesar da dimensão das catástrofes, as ações estaduais e municipais são tímidas, e o país falha em apresentar uma estratégia nacional coesa.

Necessidade Urgente de Mudança Radical

A ausência de uma política de ocupação do solo, a Falta de realocação de pessoas em áreas de risco e a insuficiência de investimentos em prevenção resultam em ações emergencialistas, realizadas apenas após as tragédias. Se este quadro não mudar radicalmente, o aumento da abrangência territorial, das intercorrências e da violência dos eventos climáticos fará com que a população pague um preço cada vez mais alto e insustentável individualmente.

O Papel das Seguradoras na Mitigação de Riscos

Neste contexto, as seguradoras podem desempenhar um papel crucial. Elas podem prover os fundos necessários para custear parte dos investimentos em prevenção e oferecer apólices desenhadas para minimizar os prejuízos da população afetada por eventos climáticos.

Fonte: Estadão

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