Petrobras: Mercado alerta para dívida e investimentos em cenário de petróleo baixo

Mercado financeiro monitora Petrobras: alta de investimentos e dívida sobem sob o olhar atento de analistas diante de petróleo em baixa. Entenda a cautela.
Petrobras dívida e investimentos — foto ilustrativa Petrobras dívida e investimentos — foto ilustrativa

Enquanto a Petrobras finaliza os detalhes de seu novo plano de negócios, cresce no Mercado a preocupação com o aumento de investimentos e da dívida da estatal em um cenário de queda nos preços do petróleo. Analistas levantam questionamentos sobre a estratégia da companhia em meio a resultados trimestrais que, embora robustos em operações, sinalizam um apetite elevado por gastos.

A palavra “cautela” foi repetida por três vezes pelo diretor financeiro e de relações com investidores, Fernando Melgarejo, ao se referir à aprovação de novos investimentos, participação em leilões e potenciais operações de aquisição. Essa postura visa gerenciar as expectativas do mercado diante de um ambiente desafiador.

Lucro Trimestral e Aumento de Investimentos

A divulgação do Lucro de R$ 32,7 bilhões no terceiro trimestre trouxe um cenário “agridoce”, segundo analistas como Monique Greco, do Itaú BBA. Apesar dos bons resultados operacionais, o volume de investimentos da empresa registrou um crescimento de 23,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A dívida da companhia atingiu US$ 71 bilhões (R$ 390 bilhões), aproximando-se do teto de US$ 75 bilhões (R$ 412 bilhões) estabelecido pela própria Petrobras.

Gráfico do resultado trimestral da Petrobras com aumento de investimentos.
A Petrobras divulgou lucro robusto, mas investimentos crescentes geram alerta no mercado.

A analista ressaltou que a Petrobras atingiu 76% da projeção anual de investimentos, indicando que o gasto total do ano provavelmente superará a meta, dado que historicamente o quarto trimestre concentra grande parte dos aportes.

Visão de Mercado e Plano Estratégico

Ilan Arbetman, da Corretora Ativa, manteve uma visão neutra para as ações da Petrobras. Ele citou a robustez do trimestre, mas apontou um ambiente setorial desafiador para o petróleo e uma relação risco-retorno menos atrativa em comparação a outras oportunidades no setor. A proximidade da divulgação do novo plano de investimentos da estatal, prevista para 27 de novembro, intensifica as preocupações.

O Governo tem pressionado a Petrobras a manter os investimentos em alta, mesmo em um cenário de petróleo mais baixo e em ano eleitoral. A direção da empresa, contudo, evitou antecipar detalhes sobre o plano e assegurou que não há planos de alterar a política de dividendos ou de expandir o teto da dívida.

Gestão de Custos e Eficiência

Em resposta ao cenário de baixos preços do petróleo, a Petrobras planeja implementar medidas de redução de custos e otimização de eficiência. Melgarejo afirmou que a intenção é manter o teto da dívida através de ajustes internos, sem necessidade de alterá-lo. A diretora de engenharia, tecnologia e inovação, Renata Baruzzi, exemplificou o aumento da eficiência com a interligação de 40% a mais de poços até outubro em comparação com o ano anterior.

Planta de refino da Petrobras em operação.
Investimentos em refino são uma bandeira para reduzir dependência de combustíveis importados.

O crescimento da dívida foi justificado por duas emissões de debêntures no valor de US$ 2 bilhões (R$ 11 bilhões), que, segundo Melgarejo, melhoram o perfil do endividamento e a liquidez de caixa da companhia.

Impacto no Plano de Negócios e Dividendos

A expectativa é que o novo plano de negócios da Petrobras possa trazer um novo aumento nos investimentos, o que, consequentemente, reduziria a margem para o pagamento de dividendos. A empresa tem assinado contratos para ampliação e construção de novas unidades de refino, com gastos previstos para começar em 2026. Essa retomada dos investimentos em refino é uma bandeira defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o argumento de diminuir a dependência nacional de combustíveis importados, especialmente o diesel.

Daniel Cobucci, do BB Investimentos, alertou que a Petrobras poderá enfrentar escolhas delicadas em seu próximo plano de negócios, pois o cenário atual de commodities pressionadas pode conflitar com as elevadas expectativas do mercado em relação a dividendos e baixa alavancagem.

Fonte: Folha de S.Paulo

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