IA no Mercado de Trabalho: A Culpa é da Tecnologia ou da Economia?

Investimentos em IA levam a demissões em massa? Entenda por que o mercado de trabalho está apertado e se a culpa é da tecnologia ou da economia.
IA e mercado de trabalho — foto ilustrativa IA e mercado de trabalho — foto ilustrativa

O debate sobre o impacto da inteligência artificial (IA) no Mercado de trabalho ganha força com o anúncio de milhares de demissões em grandes empresas de tecnologia. CEOs como Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, previram um “apocalipse de empregos”, com classes inteiras de profissões desaparecendo. Elon Musk também alertou que IA e robôs substituirão todos os empregos.

Empresas como Amazon, Target e UPS anunciaram cortes que somam mais de 30 mil postos corporativos. A Amazon justifica a medida pela necessidade de operar “de forma mais enxuta” em meio a investimentos em IA, enquanto a UPS buscou reduzir Custos. A Meta também enxugou sua divisão de IA. As demissões se concentram em cargos de escritório, o grupo mais visado pelas previsões de automação.

Demissões em Larga Escala nos EUA

Nos Estados Unidos, as empresas já anunciaram quase 1 milhão de cortes em 2025, um aumento de 50% em relação ao mesmo período de 2024. Nos últimos três meses, a taxa de Contratação atingiu o menor nível em uma década, excluindo o período da pandemia. Mais de um quarto dos desempregados está sem trabalho há seis meses ou mais, uma situação incomum fora de recessões.

Profissionais de tecnologia em um escritório moderno discutindo projetos de IA.
Investimento em IA e demissões corporativas: uma relação complexa.

Jovens graduados são particularmente afetados, com o desemprego entre pessoas de 22 a 27 anos com diploma universitário subindo mais de dois pontos percentuais desde 2023. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sugeriu que empresas que “usam mais IA do que antes” podem estar contratando menos jovens, intensificando a percepção de que a tecnologia é a causa principal.

Evidências Científicas e Visões Divergentes

Estudos de Stanford e Harvard indicam uma queda de 13% no emprego entre jovens de 22 a 25 anos em áreas expostas à IA, como desenvolvimento de software, desde o final de 2022. Funções menos expostas à automação mantiveram ganhos semelhantes para jovens e profissionais mais experientes. No entanto, o think tank Economic Innovation Group calculou que a exposição à IA impactou o desemprego em apenas 0,3 ponto percentual entre os trabalhadores mais expostos, um índice inferior ao de grupos menos expostos.

Gráfico comparando taxas de contratação e desemprego em diferentes setores após o lançamento do ChatGPT.
Análises divergem sobre o real impacto da IA no mercado de trabalho.

O Laboratório Orçamentário de Yale também não encontrou sinais de disrupção tecnológica significativa desde o lançamento do ChatGPT, com pouca alteração na composição ocupacional dos EUA. Analistas sugerem que os cortes recentes são mais resultado de ajustes de custo típicos de fim de ciclo do que de uma revolução impulsionada pela IA.

Retorno à Normalidade Pós-Pandemia

A explicação mais plausível para as demissões é o retorno à normalidade após o boom de contratações durante a pandemia. Setores como tecnologia da informação, mídia e consultoria experimentaram crescimento acelerado em 2021 e 2022, e agora passam por uma retração. Martin Casado, da Andreessen Horowitz, observa que “as startups contrataram como loucas” e agora “estão desfazendo o excesso”.

O lançamento do ChatGPT coincidiu com um mercado de trabalho historicamente apertado. Com o arrefecimento econômico, os jovens são os primeiros a sentir os efeitos, uma vez que historicamente o desemprego entre eles cresce o dobro da média quando o ciclo econômico se inverte. Embora a IA ainda não esteja eliminando empregos de recém-formados em massa, ela pode dificultar a recuperação de vagas quando a economia acelerar. A recompensa de um diploma universitário nos EUA vem diminuindo há duas décadas, e a IA pode exacerbar essa tendência, reduzindo ainda mais as oportunidades disponíveis.

Fonte: Folha de S.Paulo

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