Petrobras (PETR3): Ações disparam após telecon com fala de CFO

Ações da Petrobras (PETR3) disparam 4,83% após balanço e telecon com CFO Fernando Melgarejo, que detalhou estratégia de investimentos e dividendos.
Ações Petrobras — foto ilustrativa Ações Petrobras — foto ilustrativa
Sede da Petrobras 16/10/2019 REUTERS/Sergio Moraes

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) registraram uma Virada surpreendente na sexta-feira (7), fechando com ganhos expressivos de 4,83% para PETR3 (R$ 34,28) e 3,77% para PETR4 (R$ 32,18). Essa ascensão ocorreu no fim da manhã, após a divulgação do balanço trimestral na noite anterior, que apresentou dados operacionais acima das expectativas, mas com dividendos de R$ 12,2 bilhões em linha com as projeções.

O balanço revelou investimentos (capex) de US$ 5,5 bilhões, um aumento significativo em relação aos trimestres anteriores e 24% superior ao segundo trimestre. Esse impulso nos investimentos foi impulsionado principalmente por projetos de desenvolvimento no pré-sal. Contudo, o Bradesco BBI alertou que o aumento do capex poderia ofuscar os fortes resultados operacionais, especialmente por se manter alto e crescer antes da atualização estratégica da empresa.

Contexto do Balanço e Capex da Petrobras

No after-market da quinta-feira, os recibos de ações negociados nos EUA (ADRs) pouco se moveram. Na abertura da B3, as ações da Petrobras alternavam entre leves perdas e ganhos, indicando uma sessão de pouca movimentação inicial. A reviravolta começou a se desenhar no fim da manhã, coincidindo com declarações de executivos da estatal em teleconferência.

Durante a webcast, o diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, sinalizou que a empresa está acelerando investimentos já contratados para 2025. Ele destacou a menor flexibilidade para alterar aportes em prazos mais curtos, devido a projetos em andamento e compromissos com fornecedores.

Gráfico da Petrobras mostrando a evolução do preço das ações PETR3 e PETR4.
Evolução das ações da Petrobras após o balanço.

Cautela com Dividendos e Aportes Futuros

Melgarejo, no entanto, ponderou que, para anos futuros e investimentos ainda não contratados, a Petrobras pode avaliar postergações caso haja uma pressão significativa sobre os preços do petróleo Brent. Ele classificou a postura da empresa em relação a dividendos e fusões e aquisições (M&A) como de ‘cautela’. Segundo o executivo, não há planos de mudança na política de dividendos no momento, o que foi um fator positivo para as ações.

Jose Áureo Viana, especialista em investimentos e sócio da Blue3 Investimentos, avalia que a indicação de aceleração de investimentos contratados, aliada à postura cautelosa com novos projetos e a possibilidade de adiar aportes futuros em caso de queda do Brent, agradou os investidores. Essa abordagem reforça a percepção de que a companhia prioriza retornos consistentes.

A cautela em relação a dividendos extraordinários também foi bem recebida. Melgarejo afirmou que não há caixa excedente no momento que justifique distribuições adicionais, além da política regular. Essa declaração foi vista como um sinal de gestão responsável, alinhada à manutenção dos limites de endividamento.

Gestão Responsável e Previsibilidade

Para Viana, a combinação desses fatores transmite ao mercado uma mensagem de estabilidade e responsabilidade na gestão da Petrobras. ‘A Petrobras continua investindo, mas sem comprometer sua solidez financeira ou negligenciar a Disciplina que tem sustentado os resultados recentes. A combinação de governança e previsibilidade explica a boa performance das ações’, aponta o especialista.

Na véspera, a Petrobras anunciou um lucro líquido de US$ 6,03 bilhões no terceiro trimestre, um aumento de 2,7% em relação ao ano anterior, apesar da queda no preço do petróleo, beneficiada por um Recorde de exportações impulsionado pela produção do pré-sal.

Gráfico comparativo de lucro líquido da Petrobras entre trimestres.
Lucro líquido da Petrobras no terceiro trimestre.

O Itaú BBA destacou a diferença de desempenho entre as ações PETR3 e PETR4, com os ativos ordinários apresentando uma alta superior. Para o banco, mesmo com preocupações sobre uma possível redução de dividendos no 4T25 devido ao aumento das despesas de capital e à pouca flexibilidade para adiar investimentos, a reação positiva das ações pode ser atribuída à compensação do resultado operacional acima do esperado e à Confiança na execução de projetos de E&P (Exploração e Produção), visando o crescimento da produção e geração de caixa no médio e longo prazo. O banco mantém recomendação de compra para as ações.

Fonte: InfoMoney

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