Mercado de Escritórios SP: Selic a 15% e vacância criam ‘duas São Paulos’

Mercado de escritórios SP em 2024: vacância alta na Marginal e Selic a 15% criam ‘duas São Paulos’ no setor imobiliário. Entenda o cenário.
mercado de escritórios São Paulo — foto ilustrativa mercado de escritórios São Paulo — foto ilustrativa

O mercado de escritórios corporativos em São Paulo (SP) apresenta um cenário de contrastes acentuados. Enquanto a região da Faria Lima mantém uma vacância mínima e preços de aluguel elevados, a área da Marginal do Pinheiros, especialmente o eixo Chucri Zaidan, enfrenta desafios significativos com alta oferta e dificuldade na precificação dos imóveis.

Essa disparidade, segundo executivos da RBR Asset e do Patria, explica a recente escalada dos valores na região mais nobre da cidade e afasta, por ora, a possibilidade de uma correção expressiva nos aluguéis.

O Contraste entre Faria Lima e Chucri Zaidan

Ricardo Almendra, CEO e sócio-fundador da RBR, detalha o Diagnóstico: na Faria Lima, a dinâmica é de forte competição por espaço, enquanto na Chucri Zaidan, a pressão reside no lado da oferta. Novos empreendimentos previstos para a Marginal, como o Esther Towers e o Alto das Nações, devem adicionar entre 200 mil m² e 500 mil m² ao estoque nos próximos anos. Essa expansão é justamente na região com maior vacância e dificuldades de precificação.

Gráfico comparativo de vacância e aluguel em escritórios corporativos em São Paulo.
Comparativo de mercado de escritórios em SP expõe cenários distintos.

A Trajetória dos Aluguéis e o Impacto da Selic

Almendra ressalta que, apesar da percepção de que a Faria Lima se tornou excessivamente cara, os aluguéis na região acompanharam a inflação desde 2015. Ele cita o exemplo do prédio Faria Lima 4440, que corrigido pela inflação, atinge os valores atuais entre R$ 250 e R$ 350 por metro quadrado, dependendo do ativo. Em contrapartida, a região da Chucri Zaidan mantém preços nominais semelhantes há mais de uma década.

A composição da vacância é um fator crucial. Almendra explica que dois prédios totalmente vazios geram um impacto de Mercado maior do que dez prédios com vacância distribuída em pequenas áreas ociosas. Proprietários de grandes empreendimentos vazios tendem a oferecer carências extensas e subsídios para inquilinos, pressionando o mercado local.

Restrições para Novos Empreendimentos

Rodrigo Abbud, head de Real Estate Brasil do Patria, aponta que o atual ciclo econômico restringe a atividade construtiva fora dos eixos premium. Com vacância elevada e a Taxa Selic em 15%, novos empreendimentos só se justificam em cenários muito específicos. O custo de construção, que varia entre R$ 12 mil e R$ 15 mil por metro quadrado, inviabiliza muitos projetos com os aluguéis atuais, mesmo sem considerar o valor do terreno.

Fonte: InfoMoney

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