BNDES e Cidades: Menos Projetos, Mais Investimento em Transporte Urbano

BNDES e Ministério das Cidades reduzem projetos prioritários de transporte urbano para 187, mas aumentam estimativa de investimento para R$ 430 bilhões.
Projetos prioritários de transporte urbano — foto ilustrativa Projetos prioritários de transporte urbano — foto ilustrativa

O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), atualizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério das Cidades, revisou para baixo o número de projetos prioritários de transporte público coletivo. Em setembro, a lista para as 21 maiores regiões metropolitanas do Brasil nos próximos 30 anos caiu de 194 para 187 projetos.

Apesar da redução no número de projetos, a estimativa de investimentos para o período é de R$ 430 bilhões. Desse montante, R$ 230 bilhões são destinados a metrôs, R$ 31 bilhões a trens, até R$ 105 bilhões a veículos leves sobre trilhos (VLT), até R$ 80 bilhões a bus rapid transit (BRTs) e R$ 3,4 bilhões a corredores exclusivos de ônibus. No boletim anterior, a previsão era de R$ 500 bilhões.

Redução e Ampliação de Projetos de Transporte

A comparação entre os dois boletins indica uma redução no número de projetos de BRT/VLT e monotrilho. Contudo, a previsão para linhas de metrô foi ampliada, refletindo um direcionamento estratégico no planejamento da mobilidade urbana.

Projeto de transporte público urbano priorizado pelo BNDES e Ministério das Cidades com foco na expansão de linhas de metrô.
Projetos de transporte público urbano priorizados pelo BNDES e Ministério das Cidades.

Os projetos selecionados visam expandir a rede de transporte público em 3.042 quilômetros nas regiões metropolitanas. Isso inclui 2.410 km de novos trechos e 632 km de requalificação de sistemas existentes. Atualmente, as 21 regiões metropolitanas estudadas possuem 2.007 km de rede de transporte público.

Para suprir o Déficit de investimentos em transporte público nos próximos 20 anos, o BNDES estima um investimento anual de quase R$ 22 bilhões, o que representa cerca de 0,2% do PIB. Este valor é significativamente superior ao investimento médio anual entre 2022 e 2024, que foi de R$ 8,3 bilhões.

Impactos Ambientais e Sociais do Novo Planejamento

A implementação dos projetos previstos no ENMU promete reduzir em até 8 mil o número de mortes em acidentes de trânsito até 2054 nas 21 regiões metropolitanas. Além disso, espera-se uma diminuição de 3,1 milhões de toneladas de CO2 emitidas por ano. Essa redução de emissões é equivalente à absorção de carbono de uma área de 6.200 km² de floresta amazônica, um território cinco vezes maior que o município do Rio de Janeiro.

Outros benefícios ambientais e sociais incluem uma redução de aproximadamente 10% no custo da mobilidade urbana, devido a sistemas mais eficientes. O aumento no Acesso a empregos, escolas, hospitais e áreas de lazer também é esperado, com redução no tempo médio de deslocamentos. O impacto econômico estimado dessa melhoria na mobilidade urbana é superior a R$ 200 bilhões.

Regiões Abrangidas e Visão dos Gestores

O estudo abrange as regiões metropolitanas de Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Santos (SP), Campinas (SP), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Goiânia (GO), Distrito Federal, Salvador (BA), Maceió (AL), Recife (PE), João Pessoa (PB), Natal (RN), Teresina (PI), São Luís (MA), Fortaleza (CE), Belém (PA) e Manaus (AM).

Em nota, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o banco contribui para a formulação de uma estratégia nacional de mobilidade urbana de longo prazo e sustentável, articulando esforços entre União, estados, municípios e o Distrito Federal. “O objetivo é melhorar a qualidade de vida dos brasileiros e brasileiras, com um transporte mais eficaz, menos poluidor e mais seguro”, afirmou.

O ministro das Cidades, Jader Filho, ressaltou que os projetos selecionados demonstram o compromisso do Brasil com as mudanças climáticas, unindo sustentabilidade, mobilidade e inclusão social. “Investir em transporte coletivo limpo é investir nas cidades e nas pessoas, para que os centros urbanos se tornem mais resilientes, com menos poluição e deslocamentos mais rápidos e seguros”, concluiu.

Fonte: InfoMoney

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