Senado dos EUA aprova fim de tarifas contra o Brasil; Trump pode vetar

Senado dos EUA aprova projeto para revogar tarifas de Trump contra o Brasil. Saiba o que esperar das negociações entre Brasil e EUA e os próximos passos.
Presidentes Lula e Trump em encontro bilateral, discutindo tarifas contra o Brasil. Presidentes Lula e Trump em encontro bilateral, discutindo tarifas contra o Brasil.

O Senado dos Estados Unidos deu um passo significativo ao aprovar um projeto de lei que visa encerrar as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros. A medida, que afeta itens como petróleo, café e suco de laranja, recebeu o aval da casa legislativa nesta terça-feira (28).

Desafios no Caminho: Câmara e Veto Presidencial

Apesar da aprovação no Senado, a proposta, liderada pelo senador democrata Tim Kaine, enfrenta obstáculos consideráveis para se tornar lei. O texto precisa ainda ser submetido à Câmara dos Representantes, onde a maioria republicana adota regras que podem impedir o avanço de projetos relacionados a tarifas. Adicionalmente, Donald Trump mantém a prerrogativa de vetar a legislação, caso ela chegue à sua mesa.

A iniciativa do senador Kaine é vista mais como um ato simbólico, buscando expor a insatisfação com a política tarifária de Trump e forçar um debate sobre os impactos econômicos negativos. A votação serviu como um termômetro da resistência interna no Partido Republicano às tarifas impostas pelo ex-presidente.

Resistência Republicana e Impactos Econômicos

A votação no Senado, encerrada com 52 votos a favor e 48 contra, revelou que cinco senadores republicanos se uniram aos democratas. Nomes como Susan Collins, Mitch McConnell, Lisa Murkowski, Rand Paul e Thom Tillis votaram pela revogação do estado de emergência nacional, que serviu de base para a imposição de tarifas de importação de até 50% sobre produtos brasileiros desde agosto de 2025.

O Escritório de Orçamento do Congresso, órgão apartidário, já alertou que essas tarifas podem contribuir para o aumento do desemprego e da inflação, além de frear o crescimento econômico no país.

Presidentes Lula e Trump em encontro bilateral
Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em reunião na Malásia.

Avanços nas Negociações Brasil-EUA

A aprovação no Senado ocorre em um contexto de otimismo nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. A recente reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Malásia, que durou cerca de 45 minutos, elevou as expectativas de exportadores quanto a uma possível flexibilização das tarifas.

“O que importa em uma negociação é olhar para o futuro. A gente não quer confusão, quer resultado”, declarou Lula após o encontro. Trump, embora tenha classificado a conversa como “muito boa”, ressaltou que um acordo imediato não está garantido, mencionando que o Brasil paga atualmente cerca de 50% de tarifa.

Como resultado direto do encontro, representantes comerciais dos dois países já realizaram a primeira Rodada de negociações. A delegação brasileira, incluindo o chanceler Mauro Vieira e o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Márcio Rosa, definiu um calendário de reuniões focado nos setores mais impactados pelas tarifas.

O governo brasileiro apresentou um documento a Trump destacando um superávit de US$ 410 bilhões dos EUA na balança comercial com o Brasil nos últimos 15 anos. Lula propôs a suspensão temporária das tarifas durante as negociações, um modelo que já foi aplicado em acordos com México e Canadá.

O diálogo entre os líderes foi descrito como cordial, com ambos considerando a conversa uma “grande honra”. Setores empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Amcham, veem o diálogo como “um avanço concreto” e esperam uma conclusão rápida do acordo bilateral.

Fonte: G1

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