O bitcoin (BTC) está em uma fase inicial de sua jornada e tem potencial para atingir US$ 1 milhão por unidade nos próximos anos. Essa é a perspectiva de Diego Kolling, head de estratégia bitcoin do Méliuz, empresa que se redefiniu como uma “tesouraria de BTC”. Kolling argumenta que a criptomoeda possui os atributos essenciais para solucionar o que ele denomina como a “doença” do dinheiro tradicional.
Em sua participação no evento “Crypto: Day Experts”, em São Paulo, Kolling destacou que o bitcoin oferece uma resposta à fragilidade do atual sistema monetário, caracterizado por expansão fiscal e monetária e pela perda contínua de poder de compra das moedas fiduciárias. “O dinheiro está doente. As pessoas estão comprando qualquer coisa, como imóveis, ações e obras de arte, apenas para fugir da desvalorização da moeda. Nesse contexto, o bitcoin surge como a alternativa mais sólida”, afirmou.
Bitcoin: A Resposta à Inflação e à Volatilidade
Kolling acredita que o atual ciclo de alta (bull market) da criptomoeda ainda não atingiu seu pico. Analisando os superciclos históricos, ele observa que os “verões cripto” duram cerca de 1.200 dias, e o ciclo atual conta com 800 dias. Notavelmente, todos os bull markets anteriores ocorreram em cenários de liquidez global abundante, com juros nos EUA próximos de zero. Atualmente, com o início do ciclo de afrouxamento monetário nos EUA, o BTC já superou suas máximas históricas diversas vezes.
O sucesso do bitcoin, segundo o executivo, é fundamentado em sua governança descentralizada. Ele compara esse sistema a um equilíbrio de poderes entre mineradores, desenvolvedores e validadores. “Os mineradores são o Executivo, que executam e registram as transações; os desenvolvedores são o Legislativo, que definem as regras; e os nós da rede são o Judiciário, que fiscalizam e validam os blocos”, detalhou. O episódio do “fork” de 2017, que dividiu a rede entre bitcoin e bitcoin cash (BCH), é citado como exemplo da solidez desse modelo, onde validadores contrariaram a maioria dos mineradores quanto ao aumento do tamanho dos blocos.
“O bitcoin começou em 2009 com 37 mil linhas de código. Hoje tem 730 mil linhas. Além disso, tem 115 contribuidores ativos, o maior número da história”, ressaltou Kolling, evidenciando o desenvolvimento contínuo do projeto.
Adoção Institucional e o Futuro do Bitcoin
Um dos pilares da visão otimista de Kolling é o crescente avanço da adoção institucional. Ele aponta que o atual ciclo de valorização é o primeiro com participação estruturada de grandes empresas e investidores institucionais, por meio de produtos regulados e exposição direta em tesourarias. Empresas como BlackRock e J.P. Morgan já possuem iniciativas significativas no setor de ativos digitais.
Contudo, Kolling ressalta que apenas 0,006% da alocação institucional global está em bitcoin, indicando um vasto espaço para crescimento. A distribuição da moeda também segue concentrada em indivíduos, com cerca de 50% dos bitcoins emitidos nos primeiros quatro anos da rede. A adoção do bitcoin pela população global também está em estágio inicial, com apenas 4% das pessoas no mundo possuindo a moeda digital. “O bitcoin ainda tem apenas US$ 2 trilhões de capitalização. Enquanto isso, o mundo concentra US$ 900 trilhões em ativos, sendo US$ 330 trilhões em imóveis e US$ 300 trilhões em renda fixa”, comparou. Essa busca por ativos de proteção contra inflação, como imóveis, demonstra a falha do dinheiro atual em servir como reserva de valor, um papel que o bitcoin, com sua oferta limitada, poderia suprir, apesar de sua volatilidade histórica.
Inovações Tecnológicas e Adoção em Pagamentos
Kolling também destacou os avanços tecnológicos que expandem a utilidade prática do bitcoin, especialmente com o amadurecimento da Lightning Network. Essa solução de segunda camada viabiliza transações instantâneas e de baixo custo, superando a limitação de sete transações por segundo da blockchain principal. “A Lightning muda isso ao permitir Transferências quase instantâneas com privacidade e custo reduzido”, explicou. A rede já processa aproximadamente US$ 300 milhões por mês em pagamentos e recebimentos, configurando o que ele descreveu como “e-commerce em bitcoin”.
Fonte: Valor Econômico