As taxas dos DIs encerraram a sexta-feira em baixa, impulsionadas pela percepção de que o Banco Central está mais próximo de cortar a Selic. A queda se deve à divulgação de índices de inflação abaixo do esperado tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
No final da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 registrou 13,09%, uma redução de 7 pontos-base em relação ao ajuste de 13,164% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2035 marcou 13,515%, em queda de 9 pontos-base frente aos 13,602% de ajuste anterior.
Inflação Brasileira Abaixo das Expectativas
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o IPCA-15, prévia da inflação oficial, com alta de 0,18% em outubro. Este resultado foi inferior aos 0,48% registrados em setembro e às expectativas do Mercado, que previam um avanço de 0,25%.
A taxa do IPCA-15 acumulada em 12 meses até outubro ficou em 4,94%, abaixo dos 5,32% de setembro e da projeção de 5,01% dos economistas. A análise do indicador também revelou sinais positivos, com a redução do índice de difusão (proporção de itens em alta) de 53,1% para 50,95%.
Dados de Inflação nos EUA Reforçam Cenário Pró-Corte de Juros
O IPCA-15 abaixo do esperado contribuiu para o recuo das taxas dos DIs, sendo reforçado pela divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos em setembro. O Departamento do Trabalho dos EUA reportou um avanço de 0,3% no CPI no mês, após 0,4% em agosto. Em 12 meses, o índice subiu 3,0%, comparado a 2,9% no mês anterior, enquanto economistas previam 0,4% e 3,1%, respectivamente.
Excluindo alimentos e energia, a inflação núcleo subiu 0,2%, ante 0,3% em agosto, e acumulou alta de 3,0% anualmente. Os rendimentos dos Treasuries despencaram após o CPI, elevando as apostas globais em cortes de juros pelo Federal Reserve.
Análise do Mercado e Projeções para a Selic
Nesse cenário, a taxa do DI para janeiro de 2027 atingiu a mínima de 13,815% (-6 pontos-base) e a taxa para janeiro de 2035, a mínima de 13,510% (-9 pontos-base). Laís Costa, analista da Empiricus Research, avalia que os indicadores reforçam a expectativa de corte na Selic. “Se antes ninguém estava acreditando que o Banco Central cortaria a Selic antes do primeiro trimestre de 2026, os dois indicadores de hoje vieram muito na direção pró-corte”, afirmou.
Costa sugere que janeiro se torna um consenso para o início dos cortes, com maior probabilidade de ocorrer em março. José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, acrescenta a redução recente do preço da gasolina pela Petrobras como um fator que pode influenciar a política monetária. “A possibilidade de corte da Selic ser em janeiro aumentou muito com o IPCA-15 de hoje e o corte da gasolina”, disse.
Cautela e Posicionamento do Banco Central
Apesar da curva de juros precificar maiores chances de cortes a partir de janeiro, muitos economistas mantêm cautela. Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, pondera que, embora o IPCA-15 apoie revisões baixistas nas expectativas de inflação, não altera o panorama geral nem traz confiança adicional ao processo de desinflação. “Nesse sentido, não deve mudar o plano de voo do Banco Central, que segue com postura cautelosa e juros em patamar contracionista por tempo prolongado”, observou.
Próximo ao fechamento, a curva precificava quase 100% de probabilidade de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Em paralelo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou que o governo repudia o “calote” nos precatórios. Ele reafirmou o compromisso do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em resolver o problema fiscal de forma sustentável.
No cenário internacional, os rendimentos dos Treasuries se recuperaram após a divulgação do CPI, exibindo leves ganhos nos contratos mais longos.
Fonte: InfoMoney