Lula 2026: Campanha adota estratégia de 1989, mirando eleitor ‘antissistema’

Lula busca inspiração em 1989 para campanha de 2026, focando em eleitores ‘antissistema’ e integrando figuras como Boulos.
Lula 2026 — foto ilustrativa Lula 2026 — foto ilustrativa

A figura de Luiz Inácio Lula da Silva que disputará pela sétima vez a Presidência da República em 2026 apresentará nuances distintas de campanhas anteriores. Analistas apontam que o presidente buscará replicar a estratégia de 1989, focando em um eleitorado com forte sentimento ‘antissistema’, em detrimento da abordagem de centro que garantiu a Vitória em 2022.

Essa movimentação se reflete na recente entrada de Guilherme Boulos, do PSOL, para o Governo, e na articulação política liderada por Gleisi Hoffmann, do PT, no início do ano. O objetivo é fortalecer a base de apoio à esquerda, com uma postura mais aguerrida e direcionada a um eleitorado que se opõe ao establishment político.

A Estratégia ‘Antissistema’

A aposta em um eleitorado ‘antissistema’, caracterizado por sua resistência ao status quo, é uma tática arriscada para um governo que já comanda o país há mais de uma década. No entanto, pesquisas indicam que pautas populares e discursos com viés de soberania, como a Defesa da isenção do imposto de renda e uma postura crítica aos Estados Unidos, podem ressoar junto a esse público.

O eleitor ‘antissistema’, segundo a análise, não se prende a uma ideologia específica, mas busca um inimigo comum. Essa figura pode ser retratada como uma ‘elite’ opressora ou ‘forças estrangeiras’ que conspiram contra o progresso, independentemente de quem esteja no poder.

Nesse contexto, Lula pretende apresentar propostas de esquerda, como a tarifa zero e o fim da escala 6×1, que, mesmo que difíceis de implementar, servem ao propósito de campanha. A mensagem seria de que tais iniciativas não prosperam devido à resistência de ‘outros lados’ que impedem o avanço do país.

Boulos e a Mobilização nas Redes

A inclusão de figuras como Guilherme Boulos é vista como crucial para engajar grupos e mobilizar apoio, muitas vezes extrapolando os limites institucionais. A estratégia de Guilherme Boulos, com sua reconhecida atuação ‘antissistema’ e Liderança em movimentos sociais como o MTST, é fundamental para a conquista de adeptos nesse espectro.

Desgaste e o Novo Cenário Eleitoral

Alguns analistas questionam a mudança de rota de Lula, que abandonaria a estratégia de 2022, focada na defesa da democracia, para resgatar pautas de 1989. Argumenta-se que a proposta de defender a democracia sozinha pode não ser suficiente para garantir uma nova vitória, considerando o desgaste natural de governos anteriores e as acusações de corrupção que o PT enfrentou.

Paralelamente, o sentimento ‘antissistema’ tem crescido globalmente, levando à perda de reeleições e à ascensão de candidatos mais radicais. O pessimismo e a insatisfação, amplificados pelas redes sociais, moldam o cenário eleitoral. A frente ampla, que foi essencial para a vitória e governabilidade inicial, pode não ser mais viável para Lula em 2026, dada a dificuldade em manter base no Congresso e a provável ausência de apoio de partidos de centro na chapa.

O Caminho da Esquerda e o Confronto

Diante deste cenário, o caminho da esquerda parece ser a alternativa mais promissora para Lula, impulsionado pela oposição. Em 1989, Lula enfrentou Fernando Collor, que também se apresentava como um candidato ‘contra tudo o que está aí’ e saiu vencedor. Agora, com a máquina pública em mãos e em sua última disputa presidencial, Lula tentará consolidar uma vitória utilizando uma abordagem que resgata suas origens políticas.

Fonte: Estadão

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